Minha Opinião: Tragédias e o poder público

A vinda do governador interino do Estado do Rio a Região Serrana, Claudio Castro, transferindo para os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis a sede do governo, quando a tragédia de janeiro de 2011 completa dez anos, é interessante, porém, nos preocupa se não é apenas marketing político.

Muitos petropolitanos tem conhecimento de que, desde 1966, sem levar em consideração anos anteriores, temos muitas vítimas aguardando até hoje uma solução para moradia, pois perderam tudo o que tinham e vivem da esperança por uma moradia.

Nos últimos anos vimos três governos municipais investirem, ou pelo menos anunciar, na construção de moradias para os desabrigados pelas chuvas. No entanto, também é de conhecimento que muitas pessoas ainda vivem com ajuda do aluguel social e são obrigadas a lutar cada ano para receber e assim pagar o aluguel.

Mas, o que não vemos é uma política habitacional de fato, que leve os petropolitanos a saírem das áreas de risco para áreas seguras e não vemos uma política de urbanização, com toda infraestrutura nas comunidades que não podem ser removidas.

A falta de política de habitação e de urbanização em Petrópolis tem contribuindo para o crescimento desordenado da cidade, como aconteceu entre as décadas de 1970 e 1980, com a expansão imobiliária na cidade.

Não precisamos ir nem ao passado, basta ver o que está acontecendo nos distritos, com a construção de condomínios privados e até projetos públicos, como o do Carangola. Este bairro, quando todos os imóveis projetados estiverem concluídos vai sofrer um aumento populacional enorme e com isso, problemas como o transporte coletivo vai aumentar, assim como abastecimento de água, coleta de esgoto, assistência de saúde e escola.

Uma política de habitação e de urbanização, realizada de forma planejada e respeitando a caracterização de cada região da cidade, contribui para o crescimento ordenado e o desenvolvimento econômico. Hoje, pela falta de planejamento e com a degradação e empobrecimento da cidade, estamos perdendo a qualidade de vida e isto dificulta o crescimento econômico e social de qualquer cidade.

Falando em planejamento, salve Philippe Guedon.

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