Eucaristia: a presença real de Jesus Cristo, um Deus vivo

Para os católicos não há dúvida sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Afinal de contas, foi Ele próprio que instituiu o sacramento, quando na última ceia afirmou “este é meu corpo… este é meu sangue… fazei isto em minha memória” [1]. É importante lembrar que Jesus disse ainda “Tomai e comei, isto é o meu corpo… bebei dele todos, pois isto é meu sangue…”[2].

Rogerio Tosta

Apesar desta certeza, desde o início da pandemia muitos católicos deixaram de participar da Santa Missa, mantendo, mesmo podendo ir à igreja, a participação virtual e com isso a comunhão espiritual. Passado dois anos, com o avanço da vacinação e com todas as medidas de segurança sanitária tomada, muitos fiéis ainda mantém o hábito, mesmo sabendo que não é correto, da participação virtual na Santa Missa.

Diante destes fatos e a diminuição no número de fiéis participando da Santa Missa, o bispo da Diocese de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, OSB, ouvindo o clero proclamou o Ano Eucarístico Diocesano, que terminará na festa de Corpus Christi em 2023.

O objetivo é único e bem simples, como afirmou o bispo no ato de sua convocação: “Para que Jesus seja ainda amado e adorado por todos, para chamar outra vez para o seio da igreja aqueles que estão com medo, para despertar aqueles que estão adormecidos nas suas casas simplesmente por comodismo, para tirar diante dos televisores aqueles que resolveram comungar virtualmente quando a igreja nos pede, pelo próprio Jesus Cristo, que a sua presença precisa ser real e nós precisamos voltar para o seio da igreja”.

A sua proclamação segue o espírito apostólico do início do cristianismo, pois ao lermos a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, encontramos toda orientação para celebrar a Ceia do Senhor: “…Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha”[3].

São Paulo, na advertência que faz a comunidade cristã, porque muitos estavam transformando a ceia do Senhor numa ceia comum, alerta ainda para os riscos de “comer e beber” indignamente o corpo e sangue de Cristo: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação”[4].

Como a Sagrada Escritura é sempre atual, podemos dizer que, aqueles cristãos católicos, conscientes e conhecedores dos sacramentos e da vontade de Deus, que mesmo podendo ir à Igreja para participar da Ceia do Senhor em torno do altar, optam pela missa virtual, “comendo e bebendo virtualmente”, realizando a comunhão espiritual, podem estar incorrendo num greve erro, levando-os ao pecado como nos alerta São Paulo: “todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor”.

É importante distinguir entre estar impedido por uma doença ou fragilidade para participar da Santa Missa e a opção por não ir. A Igreja tem claro que, aqueles que possuem dificuldade de participar da missa, podem e devem fazer participando por meio de uma transmissão ao vivo da missa. A igreja ainda deixa claro que, aqueles que se sentem em pecado e indignos de receber o Corpo e Sangue de Cristo, devem fazer a sua comunhão espiritual, mas, alerta que, mesmo não podendo receber a Eucaristia, estão “obrigados” a participar da celebração.

Para aqueles que se sentem indignos de receber o Corpo e Sangue de Cristo, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) em seu Parágrafo 1385 afirma que: “aquele que tiver consciência dum pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de se aproximar da Comunhão”. Vale ressaltar que em muitas igrejas, antes e durante a celebração, há sempre um sacerdote para atender confissão. E, naquelas onde não ocorre isto, os fiéis podem buscar o sacramento da reconciliação ao longo da semana para, dignamente, receberem a Eucaristia.

“Voltemos com alegria à Eucaristia!”

Esta é uma das muitas afirmações que o Papa Francisco vem fazendo nos últimos meses, chamando atenção de todos os cristãos católicos para retomarem novamente a participação presencial na Santa Missa. No ano passado, o Sumo Pontífice autorizou o Cardeal Roberth Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Displina dos Sacramentos, a enviar uma carta[5] a todas as conferências episcopais do mundo, onde afirmava “a necessidade de voltar a normalidade da vida cristã”.

No mesmo documento, com texto aprovado pelo Papa, o Cardeal Sarah afirma que “nenhuma transmissão é equiparável à participação pessoal ou pode substituí-la”. Ele reconhece todo serviço prestado pelos meios de comunicação ao transmiterem a celebração da Santa Missa, principalmente para os doentes e pessoas impossibilitadas de irem a missa. Reconhecimento o papel fundamental que as transmissões tiveram durante o momenro grave da pandemia, quando se exigia o isolamento e distanciamento social.

No entanto, passado os anos de 2020 e 2021, o momento agora é outro e maior parte da população já encontra-se vacinada e com todas as medidas sanitárias de prevenção. Por conta, a Igreja em todo mundo está convocando a todos os cristãos católicos a retomarem a participação na missa, pois a unidade da Igreja e da comunidade cristão se faz ao redor do altar, onde se realiza a cada missa a Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo.

No documento, o Cardeal manifesta uma preocupação, lembrando que “com efeito, estas transmissões, por si só, correm o risco de nos afastar de um encontro pessoal e íntimo com o Deus encarnado que se entregou a nós não de forma virtual, mas sim, dizendo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Esse contato físico com o Senhor é vital, indispensável, insubstituível. Uma vez identificadas e adotadas as medidas concretamente praticáveis ​​para reduzir ao mínimo o contágio do vírus, é necessário que todos retomem seu lugar na assembleia dos irmãos“, encorajando os “desanimados, amedrontados, há muito tempo ausentes ou distraídos”.

[1] Lc 22,19

[2] Mt 26,27-28

[3] 1Cor 11,23-26

[4] 1Cor 11,27-29

[5] “Voltemos com Alegria à Eucaristia” – Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica sobre a celebração da liturgia durante e após a pandemia da Covid-19.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.